O dia em que pedi demissão

O dia em que pedi demissão

O dia em que pedi demissão

Essa semana pedi demissão do meu emprego. Encerrei um ciclo de 6 anos indo para o mesmo lugar, trabalhando das 08:00 às 17:00, 5 dias por semana. Sim, estou em plena queda livre, naquele vão que existe entre as barras do trapézio, estou vivendo aqueles segundos em que você prende a respiração e coloca todo o seu foco e atenção para agarrar a barra que vem vindo em sua direção.

Me despedi de muitas pessoas queridas. Fazia tempo que eu não olhava tanta gente no olho, por tanto tempo. E aqueles olhares continham admiração. Algumas pessoas inclusive me disseram que queriam ter a mesma coragem. Para além da admiração, atravessei olhares e pude enxergar a crença de muitas pessoas de que se ela não tivesse aquele emprego, aquele salário que pinga todo mês na sua conta, a sua vida estaria perdida. Vi em muitos a crença que limita, que assusta, que te impede de mudar, que faz com que você fique eternamente balançando na mesma barra do trapézio.

Eu já estive nesse lugar e sei que a maioria das pessoas que decidiram mudar de carreira também estiveram. Mas então, o que diferencia as pessoas que dão o salto daquelas que preferem viver uma vida sempre dentro daquele mesmo espaço limitado?

Eu tive a sorte de, durante esses 6 anos, trabalhar com temas que me possibilitaram ter uma nova perspectiva sobre o ser humano. Agarrei com toda a força a chance de ter trabalhado com algo que me encantava e apliquei tudo o que aprendi em mim mesma. É obvio que a maioria das pessoas não tem a chance de, em seu próprio trabalho, pensar sobre seu propósito de vida, mas quero compartilhar as minhas principais reflexões que me fizeram me apoderar de mim mesma e que culminaram na escolha que tomei.

A decisão de sair do seu emprego para se dedicar a outra atividade não acontece de uma hora para outra. Ela vem de um processo longo de inquietações e questionamentos. Acordar segunda – feira desejando que a sexta chegue logo, sentir aquela depressão bater no domingo à noite, ficar o tempo todo se perguntando “mas o que eu que eu estou fazendo aqui?” são pistas preciosas de que aquele espaço está muito pequeno para você e que está chegando a hora de fazer uma mudança em sua vida. E a coragem para dar esse passo também é ganha de forma gradual, construída tijolinho por tijolinho.

Se o pulo for dado de forma impulsiva e sem planejamento a chance de nos esborracharmos no chão ou de ficarmos presos emocional e psicologicamente no passado aumentaM consideravelmente. Para nos sentirmos mais confiantes e corajosos para o salto, temos que reconhecer a transição.

Para eu chegar na decisão de sair do emprego e me dedicar a algo totalmente meu, que eu acredito e sinto paixão, trabalhei muito essa questão na transição. Ela pode assustar, mas uma vez que você sabe que ela existe e quais são as suas implicações fica muito mais fácil lidar e inclusive tirar proveito dela.

Você precisa terminar antes de começar

E aqui existe uma questão mais atrelada ao nosso psicológico do que a situação propriamente dita. É importante ter a consciência do término. No meu caso, antes de efetivamente pedir minha demissão, visualizei por muitas vezes como seria a minha vida sem ter a patente que trabalhar naquela empresa me conferia. As portas que se abriam quando dizia que trabalhava naquela empresa não seriam mais as mesmas. Eu não me relacionaria com as mesmas pessoas, não iria para o mesmo lugar todos os dias, não faria as mesmas atividades, não teria mais a rotina que eu vivi durante os 6 anos que durou esse ciclo. Psicologicamente terminei aquela relação e isso me deu força para terminá-la efetivamente.

Entre o término e o reinício existe um hiato

O passado não existe mais – o futuro ainda não chegou. É justamente onde eu me encontro nesse momento. O reinício é certo, mas para ele acontecer existe muito trabalho, dedicação e planejamento e tudo isso acontece dentro do hiato. É onde nos recolhemos do mundo exterior e colocamos toda a nossa energia nas ações que construirão o futuro que desejamos. O futuro não vai bater na sua porta, você precisa criá-lo e ter consciência que para criar esse futuro vai ter que suar a camisa, mas quando você trabalha para construir algo que acredita, todo o esforço é absurdamente gratificante.

O hiato é criativo

Se demitir daquele emprego que te traz segurança é o tipo de experiência que desperta um senso de urgência. A mola propulsora que te empurra para o seu sonho. Agora está nas suas mãos fazer o seu futuro, você não depende de mais ninguém, apenas de si mesmo e você não imagina o quão criativo você vai se tornar nesse momento.

Eu já venho me dedicando ao meu projeto pessoal há algum tempo, mas ao pedir demissão minha cabeça começou a fervilhar de ideias. Hoje, qualquer coisa que leio, que vejo, que escuto é matéria prima para eu moldar o meu futuro para deixá-lo ainda mais do jeito que eu quero e acredito. Tenho sentido euforia de eurecas constantes e de todas as possibilidades que tem se aberto a minha frente.

A transição é evolutiva

E como é! O seu passado te trouxe para quem você é, e hoje a transição te levará para o futuro que quer construir. Tudo o que viveu foi incluído em você e agora você transcende para um novo lugar. Se nesses últimos anos, mergulhei dentro de mim, essa última semana foi uma visita a minhas maiores profundezas. Na transição você está sozinho e a solidão é uma ótima companheira nessas horas. Tenho achado dentro de mim talentos e competências que nem podia imaginar que faziam parte do meu recheio. Hoje posso dizer que sou uma empreendedora, coisas que a anos atrás era inimaginável.

E como crescer é gostoso, o mundo parece mais acessível e menos assustador e você passa a encará-lo, olhando nos olhos.

Estou com medo? Sim. Como me sinto? Maravilhosamente bem!

[Crédito da Foto: Tom Waterhouse]

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