Duas atitudes simples que lhe ajudarão a encontrar o trabalho dos seus sonhos

Duas atitudes simples que lhe ajudarão a encontrar o trabalho dos seus sonhos

Duas atitudes simples que lhe ajudarão a encontrar o trabalho dos seus sonhos

Talvez você não se lembre, mas eu tenho isso bem guardado na minha memória de infância: fazer compras no supermercado com a minha mãe, quando eu era garoto, era bem mais fácil! Não vou dizer que era algo que eu adorava, muito pelo contrário: eu preferia estar brincando de polícia e ladrão ou jogando video-game. Mas tem algo que vivi lá atrás que faz com que eu entenda algo muito importante hoje. Lembro-me da geladeira de iogurtes. Naquela época era bem fácil escolher um iogurte: morango, tutti-frutti ou coco. Copinho, garrafinha ou 1 litro. Danoninho era só danoninho. Yakult era só Yakult.

Essa memória me veio a tona na semana passada quando fui ao supermercado e fiquei atordoado com tantas opções: dezenas de sabores, light, com probióticos, sem açúcar, orgânico, tamanho família, grego, com pedaços de frutas. É uma infinidade de marcas, tamanhos, funcionalidades e sabores que nos deixa estáticos um bom tempo na frente da gôndola tentando decifrar e decidir qual iogurte levar para casa.

Acontece que tudo está assim, inclusive a escolha da sua carreira profissional. Pergunte para seus pais e provavelmente eles vão dizer: “Na minha época você tinha as seguintes opções: advogado, médico, engenheiro, economista, militar ou padre. Ah, e claro, concurso para o Banco do Brasil. Eu decidi ser engenheiro e trabalhei 30 anos na mesma empresa.”

Esse cenário mudou radicalmente. Thomas Frey, um dos futuristas da Google, afirma que 60% das profissões existentes nos próximos 10 anos ainda não foram inventadas. Quer ter uma ideia do que vem pela frente? Veja algumas profissões que surgirão na próxima década, segundo Frey: engenheiro de impressora 3D, arquitetos de realidade aumentada, gestores de lixo eletrônico, agricultores urbanos, especialistas em educação social. Considere também as várias profissões que deixarão de existir. Em entrevista à revista Época, Carl Frey, doutor em economia da Universidade de Oxford e autor do estudo O futuro do emprego diz que: “Cerca de 47% das profissões correm risco”. Para você ter um ideia, segundo a reportagem, a profissão de motorista de ônibus urbano tem 67% de chances de sumir.

Você pode até achar todos esses números exagerados ou duvidosos mas o fato é que assim como você fica parado na frente da gôndola do supermercado para escolher um iogurte, isso também ocorre com a sua carreira profissional. A quantidade de possibilidades e escolhas literalmente nos paralisa! Mas ter escolhas não é bom? É ótimo! É um dos privilégios de viver no século XXI. Imagine que na Idade Média seu destino era definido pelo nascimento. Filho de ferreiro, vai ser ferreiro, filho de agricultor vai trabalhar como agricultor. Até a nobreza tinha suas limitações: o primogênito tinha que cuidar do feudo e o caçula virava padre.

OK, todas essas possibilidades são maravilhosas mas você continua parado na frente da gôndola em dúvida se pega o Toddynho light ou a edição especial chocolate suíço. Por que isso ocorre? Essa infinidade de escolhas gera consequências importantes na nossa vida cotidiana que poucos tem consciência. Algo que o psicólogo Barry Schwartz chama de “Paradoxo da Escolha”.

Os efeitos do excesso de escolhas que temos hoje gera duas conseqüências: a paralisia que já falamos aqui , e a insatisfação com a escolha. Acabamos menos satisfeitos com o resultado da escolha do que ficaríamos se tivéssemos menos opções. Imaginamos que poderíamos ter feito uma escolha melhor, por isso lamentamos a decisão tomada e, assim, nos sentimos infelizes. O fato de ter escolhido o iogurte de morango com pedaços de fruta e ter deixado na prateleira outras 99 possibilidades nos deixa ansiosos e infelizes: “Mas será que a edição limitada de frutas dos Alpes não seria mais gostosa?”.

Isso acontece o tempo inteiro e também com nossas carreiras: mudo de emprego ou continuo aqui? Será que começo uma nova faculdade e mudo de carreira? Está na hora de empreender? Devo ir para uma empresa pequena para ter mais autonomia? Faço um mochilão pelo mundo para abrir novas possibilidade ou continuo nesse emprego juntando grana para comprar um apartamento?

Se isso faz sentido pra você, continue lendo, pois esse “paradoxo da escolha” tem saída! Schwartz nos faz duas sugestões principais.

LIMITAR NOSSAS OPÇÕES 

Isso pode ser fácil para a compra de um iogurte: “Vou na marca mais conhecida e no tipo light pois estou de dieta”, mas para definir o rumo de sua vida isso é um pouco mais complicado, mas bem mais divertido também, acredite. Para entendermos quais opções queremos considerar em nossas vidas precisamos nos conhecer, o mais fundo que conseguirmos, um processo sem fim e para alguns (como eu) muito prazeroso. Enquanto você ficar exposto aos desejos externos e bloquear seus ouvidos para a voz interior, você fará as escolhas que os outros querem que você faça e você vai acabar vivendo a vida que os outros querem que você viva. E esses outros são muitos! Da sua família até o novela da Globo que vai ditar o que você compra ou como se comporta.

O pensador e escritor Roman Kznaric diz:

A forma de arrependimento mais emocionalmente corrosiva ocorre quando deixamos de agir em relação a algo que é profundamente importante para nós.

Você sabe o que é importante para você? Teste rápido para saber o quanto você se conhece: Você sabe nomear o seu primeiro valor? Se um amigo te ligar porque pensou em você para resolver um grande desafio, que desafio seria esse? Como você se visualiza daqui a vinte anos em termos de conhecimento, reconhecimento, legado e bens materiais? Que atividade te faz sentir que o tempo passou rápido?

Essas perguntas são simples mas exigem que dediquemos um tempo de qualidade para respondê-las. Saber as respostas te ajudarão a ter mais controle da sua vida, saber os elementos que a tornam gratificante e limitar sua opções.

É natural que ao fazer esse exercício, várias opções surjam. O segredo é escolher e focar em uma delas. Isso não significa que você vai ter que fazer isso pelo resto da vida, sempre é possível mudar e recomeçar. Mas se você tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo, acabará não fazendo nenhuma delas direito. O trabalho dos seus sonhos exige foco total.

CONTROLAR NOSSAS EXPECTATIVAS

A segunda sugestão de Schwartz é que controlemos nossas expectativas. Assim podemos evitar boa parte da angústia e da perda de tempo que surge com o número excessivo de escolhas.

Aqui novamente fica evidente a importância do auto-conhecimento, mas para te convencer ainda mais disso, quero que você conheça o que o psicólogo Martin Seligman chama de “cadeia hedonista”: à medida que enriquecemos e acumulamos mais posses materiais, nossas expectativas aumentam, por isso trabalhamos ainda mais para ganhar dinheiro a fim de comprar mais bens de consumo e aumentar nosso bem-estar,mas em seguida nossas expectativas aumentam novamente em um processo sem fim. Alguém consegue perceber essa cadeia funcionando no consumo de celulares? O problema é que os estudos mostram que a cadeia hedonista não contribui para uma vida mais feliz, pelo contrário, pode aumentar seus níveis de stress e ansiedade.

Comece hoje, busque entender seus valores, talentos, paixões e sonhos para reduzir suas escolhas e manter suas expectativas na medida certa para a vida que você deseja viver. Assim pouco a pouco você domina o paradoxo da escolha e segue o que o filósofo A.C. Grayling diz:

Se existe algo a se temer no mundo, é viver de forma a ter motivos para arrependimentos no final.

[Crédito da Foto: rawpixel.com]

[optin-monster-shortcode id=”igybboga7txbs3ivkmbh”]



Posts mais vistos


  • BAIXE NOSSO E-BOOK

shares